E quando a gente acha que as coisas não podem piorar, eis que surge uma matéria na Folha de S. Paulo sobre a psicóloga que dá cursos para mulheres que desejam "atrair um partidão". Ela cobra entre R$1.000 e R$12.000 pelos seus serviços - que são mais um des-serviço do que qualquer outra coisa. Seu curso começa com uma imagem que remonta às manifestações feministas em que as manifestantes queimam sutiãs, dizendo que é necessário ser tolerante e feminina se quisermos manter relacionamentos duradouros. Sim, ela acha o Feminismo intolerante e repudia o Movimento e todas as suas conquistas na luta por equidade de direitos para as mulheres; certamente ela não está preocupada com direitos, uma vez que vê as mulheres como "caçadoras de partidões. A digníssima chega ao absurdo de afirmar que, durante um jantar, não se pode comer muito, nem falar sobre trabalho (isso é coisa de homem). Mas não é só isso: não é recomendado falar diretamente com o garçom. Falando com o garçom, demonstramos ser "independentes demais", coisa que deve ser evitada, já que, para ela, mulher não é agente de sua própria história, e sim submissa aos "partidões".
Além de machista, a "psicóloga" diz que costuma rejeitar gordos em sua agência (!!!!) - afinal, 50% das pessoas não querem parceiros acima do peso (os dados devem vir diretamente da Agência de Pesquisa Mais Preconceituosa Do Mundo). Então, para garantir seu partidão (o sonho de toda mulher), você deve ser magra, submissa, não falar do seu trabalho, ser tolerante... ah, sim, tem mais coisas: é preciso estar sempre maquiada ("cara limpa é desleixo", para ela) e usar salto alto - até na piscina e praia é preciso andar da ponta dos pés, para chamar a atenção e disfarçar as gordurinhas e celulites. E, é claro, não é permitido transar no primeiro encontro.
Como podemos ver, ela é contra a autonomia das mulheres, a favor da manutenção do ideal de beleza vigente, excluindo a possibilidade de felicidade para todas aquelas que não se enquadrarem nele, é reforçadora do modelo machista de relacionamentos em que as mulheres vivem em função de um homem que a sustente e proteja, já que ela é incapaz de cuidar de si e de sustentar, prega um discurso pudico e ultrapassado de que o desejo sexual da mulher está submetido ao do homem e ela deve manter a imagem de "santa". E ainda é psicóloga! Estudou 5 anos sobre a necessidade urgente de quebrar esses paradigmas patriarcais e sexistas, mas tem como objetivo de vida reforçá-los e ganhar dinheiro com ele.
Isso é absurdo, e não podemos esquecer: a pior coisa que pode acontecer é o oprimido trabalhar a favor do opressor.
sensacional, flor!
ResponderExcluirObrigada! ;)
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