quarta-feira, 20 de março de 2013

Quando o mau caratismo se junta à imbecilidade.

É difícil de acreditar: foi feito um vídeo afirmando que o deputado Marco Feliciano renunciou. Renunciou à "privacidade" e às "noites de paz e sono tranquilo" para continuar lutando pelo direitos humanos como presidente da CDHM. No vídeo, um assessor do deputado deliberadamente distorce fatos, imagens e discursos de ativistas de direitos humanos e outros deputados que se opõem à Feliciano para legimitar o racismo, a homofobia e a estupidez do deputado do PSC, afirmando que os verdadeiros monstros são os defensores dos direitos humanos como Jean Wyllys, Domingos Dutra, Toni Reis (presidente da associação brasileira de LGBTT).
Num ato de mau caratismo, o vídeo faz as falas sobre sexualidade infantil parecerem "uma defesa à pedofilia como uma maneira de educar sexualmente uma criança de 6 anos", dentre outras tantas atrocidades.
Marco Feliciano afirma que desconhecia a existência desse material, apesar de reconhecer que foi de fato um assessor seu que o produziu. Sério, Feliciano? Não basta esse golpe baixo, você ainda vai tirar o seu da reta dizendo que "não sabia do vídeo"? Repito: é difícil de acreditar...

O link pra matéria completa e o vídeo segue abaixo:


Além dos discursos preconceituosos, homofóbicos, racistas e agora essa campanha suja e nojenta, Marco Feliciano consegue me irritar por fazer com que eu questione todos os meus valores e ideias acerca do ser humano: indo contra tudo que sempre acreditei, não acredito que ele seja capaz de fazer nada bom na vida; ele é, realmente, um indivíduo desprezível.
É preciso que todo mundo junte forças para lutar para que ele renuncie. Com a pressão crescendo, ele vai ter que ceder.  Não é preciso ser gay ou negro; não precisa sequer ser ativista de direitos humanos. É preciso somente ser uma pessoa que se importa minimamente com outras pessoas e com o futuro do nosso país pra que a ideia de um Marco Feliciano como presidente da CDHM da Câmara dos Deputados pareça absurda.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Ah, Clarice...

"Mas ouve um instante: não estou falando do futuro, estou falando de uma atualidade permanente. E isto quer dizer que a esperança não existe porque ela não é mais um futuro adiado, é hoje. (...) prescindir da esperança significa que eu tenho que passar a viver, e não apenas a me prometer a vida."

Tem algo na escrita de Clarice Lispector que desperta sensações únicas e um tanto inexplicáveis. Clarice não é inteligível, seus livros são feitos menos para entender e mais para sentir. E é assim mesmo que funciona: tem partes em que nada parece fazer sentido, mas alguma coisa - uma intuição, talvez - nos diz que o que ela está falando é essencial. É quase palpável, e ao mesmo tempo completamente inatingível. Ler Clarice pode mudar a vida de uma pessoa e ela sequer vai conseguir explicar o porquê. O que acontece é que, de alguma maneira, o que ela diz faz sentido, mas um sentido que você vai descobrindo aos poucos, dia-a-dia. Às vezes, logo de cara, você nem dá atenção para algo que ela diz. Mas aí, de repente, tempos depois... você pensa "era isso que ela queria dizer". Acho que pode se dividir a vida em pré-Clarice e pós-Clarice; e pós-Clarice, nada é como antes.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Porque somos nós.

A vontade de escrever a melhor coisa que você já leu me atrapalha, e por isso não consigo escrever nada que chegue perto do que eu quero dizer. É difícil sair do clichê, do chato, do normal, do senso comum. Logo sobre a gente, que é tudo menos clichê, chato, normal ou senso comum! Logo sobre a gente, que fora da caretice do convencional encontrou tanta coisa bonita. Sabe, fico pensando e acho engraçado que duas pessoas possam passar 6 anos sem se falar depois de terem se visto uma vez e, então, sem que nenhum dos dois estivesse esperando ou procurando, surge todo esse carinho e essa vontade de estar junto que nem meio milhão de quilômetros conseguem diminuir. Te sinto perto mesmo longe, porque estou sempre pensando em você, e lembrando dos incontáveis sorrisos que surgem quando estamos juntos. Tentar explicar porque gosto de você é uma coisa difícil, porque nada que eu fale pode traduzir essa coisa que a gente tem. Chico Buarque disse uma vez em uma entrevista: "Acho a coisa mais simples, mais definitiva, pra explicar o amor entre duas pessoas: gostava dele porque era ele, porque era eu." Porque é você, porque sou eu... É. É isso.