quarta-feira, 13 de março de 2013

Ah, Clarice...

"Mas ouve um instante: não estou falando do futuro, estou falando de uma atualidade permanente. E isto quer dizer que a esperança não existe porque ela não é mais um futuro adiado, é hoje. (...) prescindir da esperança significa que eu tenho que passar a viver, e não apenas a me prometer a vida."

Tem algo na escrita de Clarice Lispector que desperta sensações únicas e um tanto inexplicáveis. Clarice não é inteligível, seus livros são feitos menos para entender e mais para sentir. E é assim mesmo que funciona: tem partes em que nada parece fazer sentido, mas alguma coisa - uma intuição, talvez - nos diz que o que ela está falando é essencial. É quase palpável, e ao mesmo tempo completamente inatingível. Ler Clarice pode mudar a vida de uma pessoa e ela sequer vai conseguir explicar o porquê. O que acontece é que, de alguma maneira, o que ela diz faz sentido, mas um sentido que você vai descobrindo aos poucos, dia-a-dia. Às vezes, logo de cara, você nem dá atenção para algo que ela diz. Mas aí, de repente, tempos depois... você pensa "era isso que ela queria dizer". Acho que pode se dividir a vida em pré-Clarice e pós-Clarice; e pós-Clarice, nada é como antes.

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Hahaha de fato, existe vida pré-holy motors e vida pós-holy motors: antes de holy motors, eu era mais feliz. :P

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  2. claro, se estupidez é uma dávida que leva à felicidade, creio que sim.

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